segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Ritual da Solidão



"Pode ser que a minha casa seja pequena, mas consigo lá dormir e sentar-me. Vivendo sozinha, isso basta-me. Conheço o mundo e não me misturo. Aproveito apenas a minha tranquilidade. O meu prazer supremo é fazer a sesta e contemplar as estações. O mundo inteiro só é a consciência que dele temos. Se o coração está em paz, mesmo os tesouros mais caros não valem nada. Gosto da minha pequena casa. Estou desolado por todos esses escravos do mundo material. Só podemos apreciar a solidão quando a vivemos.
Kamo no Chomei, Notas da minha cabana


Nos próximos meses vou praticar uma série de rituais que têm por base o kaizen. Os rituais são coisas que fazemos que nos proporcionam prazer, bem-estar e crescimento interior, quase como um momento sagrado.

O primeiro ritual desta série é o Ritual da Solidão, um ritual que já pratico há muitos anos e que fui aperfeiçoando até me servir como uma luva. Desengane-se quem pensa que é necessário fazer um retiro espiritual num qualquer país exótico, apesar disso não ser nada mal pensado. É perfeitamente possível termos uma família, trabalharmos fora de casa e tirarmos um tempo para nós, para estarmos sozinhos em silêncio.

Na nossa sociedade onde existe tanto barulho de máquinas, carros, electrodomésticos e por aí fora. Onde é exigida a nossa atenção, constantemente. Termos um momento para estar sozinhos em silêncio, é um verdadeiro bálsamo para a alma.

Assim, no próximo mês vou contar-vos como pratico o meu ritual de solidão todos os dias e o que isso tem feito por mim.

Prontos para desfrutarem da vossa própria companhia?



4 comentários:

  1. Ai, como é bom estar sozinha. Não é egoísmo, é uma necessidade profunda de estarmos connosco. Inconscientemente já pratico este ritual à muito tempo e é tão bom. Para mim funciona como um bálsamo, como dizes no teu texto. São pequenos momentos (Uma caminhada em que tudo parece estar parado e só eu é que conto. Um banho relaxante em que, toda a casa vai cair com os miúdos aos gritos, mas que para ti tudo parou - nada me incomoda... São aquelas manhãs de fim-de-semana que acordas antes de toda a gente e ficas só tu, assim... a olhar pela janela a ouvir a chuva a cair...) Não devo praticar este ritual nas melhores condições mas sinto-me tão bem quando o pratico... Beijinhos amiga.

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  2. É mesmo isso, não interessam as condições, só deixarmo-nos estar assim nesses pequenos momentos que tu referes.
    Saudades tuas por aqui, Beijinhos

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  3. Pensando agora nisso... dou por mim as vezes a olhar pela janela do quarto a ver as arvores os patos a chuva e fico relaxado sem motivo aparente. Fico apenas a olhar em silêncio pela janela.

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